A queima dos produtos cerâmicos é crucial na determinação de sua qualidade e pode ser de alto custo ao ceramista, tanto na construção/aquisição como na utilização do forno. Vamos auxiliar o ceramista na tomada de decisão: qual forno escolher?

Grande parte das decisões para a substituição de fornos se dá para a redução do consumo de combustíveis. Em algumas cerâmicas, o custo dos combustíveis de queima pode comprometer até 35% do faturamento, enquanto em outras condições este comprometimento fica entre 10 e 15%. Mas, quais são os fornos mais utilizados no Brasil e seus consumos? Na tabela abaixo são apresentados estes números:

* Consumo em quilogramas de combustível necessário para obter uma tonelada de produto cerâmico queimado.

* Consumo em quilogramas de combustível necessário para obter uma tonelada de produto cerâmico queimado.

O consumo indicado acima é uma média dos levantamentos realizados, sendo que existem várias cerâmicas que conseguem valores muito diferentes com seus fornos devido à condições específicas. Desta forma, pode ocorrer um consumo de combustíveis em um forno do tipo Abóbada/Redondo bem menor do que o apresentado acima, como o caso de uma cerâmica fabricante de blocos de vedação em Minas Gerais, que obtém valores próximos a 80 kg de cavaco de madeira por tonelada de blocos queimados. Este valor extremamente baixo é obtido devido às características da argila e em sua massa é acrescido pó de balão (resíduo de lavagem de chaminé de alto forno com elevado teor de carbono - combustível). O cavaco de madeira utilizado tem teor de umidade abaixo de 10% e os fornos foram reformados procurando um melhor isolamento térmico, as portas são emantadas e os procedimentos de queima foram rigorosamente definidos e implantados. Os blocos são enfornados bem secos.

Antes de passar a um novo forno, a sugestão é ter sob controle os indicadores de qualidade e produção atuais, como por exemplo, qual custo atual de queima em combustíveis (% do futuramento), consumo de energia elétrica para a queima (hoje tão onerosa), consumo em quilogramas de combustíveis para obtenção de uma tonelada de produtos (kg/tq), aproveitamento do forno em materiais de primeira, utilização de mão de obra, entre outros.

O ceramista deve levar em consideração quais produtos pretende fabricar, sua quantidade, qual mercado alcançar, valor de venda e qualidades exigidas. Os blocos de vedação têm uma elevada oferta no mercado e geralmente têm clientes que exigem baixos preços, enquanto telhas, blocos de vedação racionalizada e estruturais necessitam de rigorosos critérios de qualidade e têm um valor de comercialização superior. Para estes produtos, a troca de forno pode ser viável e necessária.

Quase todos os tipos de fornos permitem uma queima sem muitas variações de temperatura, mas para serem produtivos, essa queima deve ser o mais rápido possível e para alcançar qualidade com baixo tempo de queima, alguns fornos são inviáveis. Em geral, fornos a rolo, túnel, móvel e câmara permitem queimas com menor variação de temperatura na carga, com um tempo de queima reduzido. Os demais exigem queimas mais prolongadas para obtenção de bons resultados de qualidade, mas o tempo de queima pode ser ongo e de alto custo.

Novas tecnologias

Fabricantes de fornos, equipamentos e sistemas de queima tem apresentado novidades constantes ao mercado, melhorando o aproveitamento de antigas tecnologias com melhor isolamento térmico, controle de combustão, monitoramento eletrônico, mecanização e até robotização nos processos de carga e descarga dos fornos. É sempre oportuno ao ceramista avaliar se é viável otimizar aos máximo seu sistema de queima existente ou investir em novas tecnologias. Essa decisão passa pelo conhecimento preciso de indicadores de qualidade e produção atual e de quais seriam os benefícios após investimentos. Os objetivos são obter menor custo de queima (combustíveis, manutenção, depreciação etc) e qualidade dos produtos.

Como exemplo, um sistema de monitoramento e controle eletrônico de queima foi implantado em uma indústria paulista fabricante de blocos de vedação e estruturais. Esse sistema controlado por computador alimenta o combustível (cavaco de madeira) e o ar nas proporções necessárias para cumprir uma determinada curva de queima. O forno foi dividido em três zonas, cada uma com duas fornalhas e dois termopares e desta forma, a alimentação de cavaco e ar é independente para cada zona, equilibrando a temperatura ao longo do forno.

Outro fator determinante desse sistema é a interrupção da alimentação de cavaco independentemente do ar de combustão, que é acionado somente em momentos definidos pelo programa computadorizado. O resultado é uma queima sem produtos requeimados ou fumaça preta na chaminé, queima mais uniforme em todas as partes do forno e redução de até 15% no consumo de combustíveis.
 

Fonte: Adaptado da Revista Anicer ano XX, ed. 100.