Pela união do setor
A entrevista especial deste mês é com o presidente do Sindicato da Indústria de Cerâmica Vermelha da Paraíba (Sindicer/PB), João Gomes de Andrade Neto.
Nesta entrevista ele, que também é diretor da cerâmica Salema, fala sobre as características do setor no estado, sobre as ações do Sindicer em prol das indústrias cerâmicas e sobre os desafios em unir mais este setor, para que possam crescer em conjunto e mostrar que é possível competir com qualidade.
Novacer:Há quanto tempo existe o Sindicer/PB?
João Neto:O Sindicer foi fundado no dia 18 de Novembro de 1991. Está com 23 anos.
Novacer:Há quanto tempo está à frente do Sindicer/PB?
João Neto:Assumi a presidência do Sindicer/PB em Abril de 2014, precedida por Manuelina Hardman (2010-2013).
Novacer:Quantas empresas de cerâmica existem na Paraíba?
João Neto:Nosso último levantamento contabilizou cerca de 150 empresas de cerâmica vermelha no estado.
Novacer:Qual o porte destas indústrias?
João Neto:A maioria das empresas é consideradas de pequeno porte, porém também possuímos médias empresas, com até cerca de 300 funcionários.
Novacer:Qual o maior benefício em ser uma empresa associada ao sindicato?
João Neto:O ceramista que se une ao sindicato participa de encontros com demais empresários do setor e se mantém sempre atualizado interage em capacitações exclusivas para o segmento cerâmico; Tem acesso aos benefícios advindos de parcerias com entidades privadas e governamentais; Participando do sindicato, as empresas tem voz na entidade que representa o setor de cerâmica vermelha no Estado em reuniões e assembléias;
Por fim, o maior benefício é fazer parte de uma rede que se preocupa com o desenvolvimento do setor, promovendo o crescimento de todos.
Novacer:Quantos empregos diretos e indiretos são gerados pela indústria de cerâmica vermelha na Paraíba?
João Neto:O setor emprega diretamente mais de 2.500 colaboradores, e envolve ao todo, cerca de 20 mil pessoas em trabalhos diretos e indiretos.
Novacer:Quais as principais características do setor na Paraíba?
João Neto:O setor é bastante espalhado ao longo do Estado, tendo sua maior concentração nas regiões metropolitanas de João Pessoa, Guarabira e Patos. Existem empresas com mais de 40 anos operando na Paraíba, assim também como plantas recentes.
A concorrência com produtos substitutos têm sido forte com a laje de isopor, pavers de cimento e blocos de cimento.
Novacer:Quantos por cento das cerâmicas podem ser consideradas modernas na Paraíba?
João Neto:Cerca de 20% das empresas podem ser consideradas modernas na Paraíba.
Novacer:As empresas trabalham com quais tipos de equipamentos? Há interesse dos empresários em modernizar suas empresas?
João Neto:Possuímos vários tipos de empresas cerâmicas. Dentre as modernas, podemos citar empresas com fornos túneis, automatismos de carga e descarga, paletização, sistemas de gestão informatizados, sistemas integrados de qualidade, produtos racionalizados e certificados. O interesse em modernizar a planta é contínuo, e o fluxo de consultores e fornecedores se mantém crescente.
Novacer:Quais as principais ações do Sindicer/PB?
João Neto:Aumentamos o benefício fiscal para que o custo de ICMS que é de 17% seja reduzido em 50%. Isto, na prática, implica na redução de metade da atual alíquota, o que beneficiaria em mais de 300 mil reais anuais para a empresa que estiver saindo do teto do regime do Simples Nacional; Estamos trazendo cursos, palestras e eventos especiais para e sobre o segmento; Fizemos uma estruturação de gestão interna da entidade, com novo site, local, modelo de gestão; O Sindicer/PB sempre intermediou o bom relacionamento entre a classe laboral e patronal para a convenção coletiva anual, sem nunca ter tido uma greve e/ou dissídio; Em seu histórico, já promoveu um evento nacional da Anicer e dois regionais; Realização de reuniões para discussão de assuntos diversos para troca de experiências entre empresários.
Novacer:O que tem a dizer sobre o trabalho desenvolvido pela Anicer?
João Neto:A Anicer vem se fortalecendo muito nos últimos anos. As parcerias feitas com o Sebrae têm trazido novos conhecimentos à uma série de empresas que não tinham acesso antes. Creio que uma maior integração e fortalecimento com os sindicatos e associações faria o setor ter maior abrangência e aumentaria o potencial de associativismo no país.
Novacer:Na Paraíba, a indústrias são empresas familiares?
João Neto:Em grande número, sim.
Novacer:Como entrou no mercado de cerâmica vermelha?
João Neto:Em 2004 ingressei no curso de Administração de Empresas, na UFPB. Nesta época, decidi ajudar meu pai e ao mesmo tempo ter a experiência de um estágio. Já tinha a relação com a empresa desde criança, então o amor pelo segmento já estava plantado.
Novacer:Nesse período no mercado de cerâmica vermelha, o que mais o motiva?
João Neto:Este período, realmente é difícil achar algo que lhe traga inspiração, pois a quantidade de notícias negativas que surgem lhe minam a todo momento. Creio que a maior inspiração é ver seu próprio desempenho ao enfrentar todas as pedras que o caminho lhe joga. Neste mesmo tempo, conhecer os limites que você não sabia que tinha, e estar mais próximo de sua equipe para encarar os desafios.
Novacer:Há algo que o desmotiva?
João Neto:A falta de investimento do governo em um setor que fortalece a interiorização do estado com emprego e renda, assim como a concorrência desleal causada pela informalidade são dos principais pontos desmotivadores.
Novacer:O que acredita ser seu maior desafio como presidente do Sindicer/PB?
João Neto:Motivar nas empresas o senso de trabalhar pelo setor, e não só individualmente. Fortalecer reuniões setoriais e fazer o empresariado acreditar que bons projetos podem ser feitos em conjunto.
Novacer:Como avalia a indústria de cerâmica vermelha brasileira?
João Neto:A indústria nacional ainda é muito heterogênea, tal qual a Argentina, Colombia e Venezuela, tendo desde verdadeiras corporações até pequenas olarias informais. Esta característica cria um senso de que ter um produto certificado e processos organizados não compensa, pois produtos de baixa qualidade são oferecidos de igual valor. Este sentimento já vi em todos os estados do Brasil, sem distinção.
Novacer:Quem são os parceiros do Sindicato?
João Neto:O Sindicato está aumentando seu número de parceiros, sejam parceiros em cursos, eventos, descontos, participação em projetos, como também em divulgação de notícias em conjunto. Dentre os principais, hoje podemos citar o SENAI/SESI/SEBRAE/IEL, A FIEP, PPQ (Programa Paraibano de Qualidade) assim com as revistas Novacer e Anicer. Estamos estruturando parceria também com o EELA (Instituto Nacional de Tecnologia), do CEPIS (Centro de Produção Industrial Sustentável) e o projeto ALI (Sebrae).
Além destes, estamos fortalecendo o entrosamento com personalidades políticas, professores, jornalistas, fornecedores, órgãos ambientais e licenciadores, formadores de opinião e demais sindicatos e associações, para integrar projetos em conjunto e manter a comunicação ativa.
Novacer:O que o senhor tem vontade de implantar no sindicato e ainda não conseguiu?
João Neto:Um projeto em andamento, que com muito esforço certamente conseguiremos é a implantação do laboratório em cerâmica pelo SENAI;
Poderia citar também a qualificação dos fornecedores de insumos para a cerâmica vermelha. Parte deles uma porção de problemas para a garantia de qualidade nas cerâmicas;
Melhorar ainda mais o sistema tributário para o nosso setor;
Já estamos montando um canal de compra, venda e troca de máquinas /peças /equipamentos, fazendo que as empresas que queiram se capitalizar, possam vender para as que não podem arcar com o custo e logística de um equipamento novo;
Outro plano que há de acontecer é executar um mapeamento mais aprofundado das empresas de cerâmica do estado. Este trabalho visa traçar um perfil de características e necessidades, e auxiliar a nossa montagem de novos projetos para o setor.
Novacer:De que forma o Governo tem auxiliado o setor na Paraíba?
João Neto:Recentemente conseguimos junto ao governo da Paraíba, a implantação do benefício de 50% do ICMS para a indústria cerâmica. É o primeiro projeto feito em conjunto com o governo, que já demonstrou abertura para outros que venham em seguida.
Novacer:Como é a questão ambiental para as cerâmicas da Paraíba? Como é o processo de extração de argila no estado? É cooperativado?
João Neto:Ainda possuímos atritos entre o setor e os órgãos ambientais. Algumas empresas são fiscalizadas, e outras não. O processo de extração de argila no estado é feito de forma individual. Não existem cooperativas de extração de argila no estado.
Novacer:As empresas da Paraíba são certificadas? Quantas empresas tem o PSQ? Quantas tem certificado do Inmetro?
João Neto:Hoje possuímos 5 empresas certificadas para blocos e uma certificada para telhas cerâmicas. O Sindicer/PB vêm motivando a certificação, mas as empresas ainda não estão sentindo o diferencial de mercado com a qualificação.
Novacer:A cerâmicas da Paraíba exportam? Têm potencial para isso?
João Neto:Não temos nenhum histórico de exportação de produtos no nosso setor na Paraíba. Não há projetos com esta finalidade no médio prazo.
Novacer:O que espera para o futuro da cerâmica vermelha?
João Neto:Espero que o setor possa se unir mais, que as empresas possam fazer melhor uso de seus sindicatos e associações e que participem mais. É unindo esforços que podemos ter mais poder, crescer em conjunto e mostrar que podemos competir com qualidade. Nosso setor precisa mostrar para toda a cadeia da construção civil que continua evoluindo. Que além de tradicional, nosso produto é o melhor, mais sustentável e mais competitivo.