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O Popular - GO
Teste aponta qualidade ruim de tijolo

Ministério público vai pedir à Justiça a suspensão da venda de tijolos em Rio verde, por estarem fora das normas técnicas exigidas


Sônia Ferreira
Técnico faz teste com tijolos: laudos reprovam qualidade

Os tijolos de cerâmica vermelha vendidos em Rio Verde e, possivelmente, em outros municípios, estão fora das normas técnicas de qualidade e não passaram nos testes de laboratórios nos quesitos resistência, tamanho e umidade. Ou seja, quebram facilmente, não oferecem bom padrão de acabamento da obra, provocam rachaduras nas paredes e não vedam infiltrações.

Resultado de testes realizados pelo Laboratório de Cerâmica Vermelha, da Superintendência de Geologia e Mineração da Secretaria de Indústria e Comércio, ao qual o POPULAR teve acesso, mostra que nenhuma das 11 amostras de tijolos coletadas no comércio de Rio Verde pelo Procon municipal, a pedido do Ministério Público, se enquadra nas normas técnicas de qualidade.

O promotor de Justiça de Rio Verde, Márcio Lopes Toledo, teme que a oferta de tijolos de má qualidade não esteja ocorrendo apenas em Rio Verde, mas em vários municípios do Estado. “Os fornecedores são praticamente os mesmos”, diz o promotor.

Suspensão
Ao receber os laudos dos testes de qualidade dos tijolos de cerâmica do laboratório, nesta semana, o promotor vai pedir à Justiça a suspensão d a venda de tijolos de cerâmica em Rio Verde, numa primeira iniciativa. “Sei que isso poderá causar um desabastecimento do mercado. Mas é a única forma de protegermos os consumidores”, afirmou.

Além disso, ele pretende convidar para uma reunião os representantes das indústrias de cerâmica, comerciantes de material de construção e dos Procons estadual e municipal. Na reunião, Márcio Toledo vai pedir às indústrias que se enquadrem nas normas técnicas de qualidade e aos comerciantes que passem a oferecer apenas produtos de boa qualidade ao mercado.

Há algum tempo, o promotor tem recebido reclamações de consumidores quanta à qualidade dos tijolos, o que tem colocado em risco as obras de construção.

Qualidade
Com o incremento da indústria da construção civil e mesmo de obras de pequenos construtores e dos “formiguinhas”, novos fornecedores de tijolos de cerâmica surgiram no mercado goiano.

“Muitos desses produtos deixam a desejar em termos de qualidade e eles estão à venda em todo o Estado”, denuncia o presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Roberto Elias Fernandes,

Esta semana, ele vai se reunir com diretores do Sindicato das Cerâmicas para pedir maior controle de qualidade dos produtos. “Nos últimos meses, os fornecedores reajustaram os preços dos tijolos em mais de 50% e deixaram a qualidade de lado”, lamenta. Atualmente, o milheiro de tijolos de cerâmica vermelha está custando entre R$ 300,00 e R$ 500,00.

Resposta
O presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica do Estado de Goiás (Sindicer), Henrique Morg de Andrade, reconhece que, realmente, algumas empresas não têm se pautado pelas normas técnicas de qualidade.

Mas Henrique de Andrade garante que a maioria das indústrias goianas trabalha seriamente e segue o que recomenda a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Dos 250 milhões de tijolos de cerâmica produzidos por mês em Goiás, segundo ele, a maioria passa nos testes metrológicos (tamanho padrão), mas ele não se arrisca falar sobre a qualidade desses produtos.

História
Em abril de 2007, o Procon-GO autuou 28 cerâmicas e 50 revendedores de tijolos na Grande Goiânia porque essas empresas estavam produzindo e vendendo produtos fora das normas técnicas de qualidade.

Na época, 90% dos tijolos do mercado estavam fora dos padrões de qualidade exigidos. Para amenizar o problema, a Superintendência de Proteção ao Direitos do Consumidor em Goiás (Procon-GO) assinou um termo de acordo com as indústrias e comerciantes de material de construção do Estado.

Na época, os problemas apurados foram o uso de mais areia do que o recomendado na fabricação de tijolos, pouca queima do produto, afetando a qualidade e resistência, pouca espessura das paredes dos tijolos, que eram, em média, de 4 milímetros, enquanto o mínimo recomendado é de 7 milímetros